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CAPS, Álcool e outras Drogas...
Os serviços de referência para usuários de álcool e drogas em Joinville e a Política de Redução de Danos 
 
 
Publicado em 31 de Março de 2017

Quando pensamos em tratamento e nos cuidados oferecidos às pessoas com problemas decorrentes do uso abusivo de álcool, crack e outras drogas, a primeira ideia que vem à cabeça da maioria das pessoas é de que o sujeito precisa necessariamente abster-se da droga, parar completamente seu uso, ficar sóbrio. Junto com este pressuposto, acredita-se de que a principal maneira para alcançar tal objetivo é através de uma internação, preferencialmente de longo prazo. Esse é o chamado modelo hegemônico, o mais utilizado tanto pela psiquiatria quanto pelas inúmeras e variadas instituições de cunho religioso que se dedicam a compreender e tratar essa problemática ao longo das últimas décadas.

De modo geral, esse modelo entende que a pessoa é “doente” e que a “cura” é a abstinência. Porém, para alcançar o principal objetivo, a abstinência, lançam mão de estratégias que muitas vezes não levam em conta as particularidades de cada caso, as liberdades individuais, o respeito aos direitos humanos e as discussões científicas mais recentes sobre o tema.

Alguns movimentos sociais, políticos e científicos, tais como o Movimento de Luta Antimanicomial e a Reforma Psiquiátrica Brasileira, têm levantado inúmeras críticas ao modelo acima descrito, principalmente por ele reduzir uma questão tão ampla e complexa, como é a relação dos seres humanos com as drogas, a uma única possibilidade de resposta: a abstinência.

O Ministério da Saúde, atento a estas discussões, vem ampliando o debate desde o final da década de 90. Em 2003 foi lançada a Política do Ministério da Saúde para atenção integral a usuários de álcool e outras drogas (BRASIL, 2003), a qual adota a Redução de Danos como Política Pública oficial.

Apesar de estar quase completando 15 anos como Política Pública, a Redução de Danos (RD) ainda é bastante incompreendida tanto pela população leiga quanto pelos próprios profissionais e outros atores envolvidos com a problemática. Na maioria das vezes há uma confusão no sentido de reduzi-la a algumas técnicas, tais como as já conhecidas: distribuição de seringas e preservativos e até mesmo a ideia de substituir o uso de uma droga mais pesada, (como o crack) por uma mais leve (como a maconha).

Essas são algumas estratégias que podem ser, e geralmente são, bastante efetivas no cuidado à saúde das pessoas. Mas a RD não é apenas um conjunto de técnicas e estratégias, ela tem se constituído como um novo paradigma cientifico no cuidado às pessoas que apresentam algum problema decorrente do abuso de álcool e outras drogas, como na dependência, no uso prejudicial episódico e até mesmo na prevenção e promoção da saúde.

A RD parte do pressuposto que o problema do uso de drogas é uma realidade presente na sociedade contemporânea, e, que nem todos se beneficiam de modelos de tratamento baseado exclusivamente na abstinência. Apesar de não haver consenso na literatura, pode-se defini-la como o conjunto de ações e posturas que visam minimizar riscos e danos de natureza biológica, psicossocial e econômica provocados ou secundários à utilização de drogas.

Pressupõe uma concepção ampla e crítica de ser humano. Deve necessariamente estar atento às singularidades de cada caso, ao contexto social, cultural e político no qual cada pessoa vive, e deve levar em conta a liberdade de escolha de cada um, ainda que essa escolha seja continuar usando a droga.

 

Os serviços de Joinville e a RD na prática.

 

Em Joinville existem 2 serviços de saúde mental que são referência para o tratamento e cuidado de pessoas com problemas decorrentes do uso do álcool, crack e outras drogas. O Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas, o CAPS AD, destinado a toda e qualquer pessoa, e seus familiares, que apresente qualquer problema decorrente do uso, e a Unidade de Acolhimento Adulto, a UA, que é um serviço residencial transitório (por até 6 meses) para acolher aqueles usuários do CAPS AD que estão mais vulneráveis e necessitam de uma residência e um cuidado mais integral (estão em situação de rua, com vínculos familiares rompidos, sem emprego ou renda e etc.).

A porta de entrada é sempre pelo CAPS AD, lá existe uma equipe multidisciplinar composta por vários profissionais de saúde, de diferentes formações, que vão acolher, avaliar e construir junto com a pessoa que procura (ou seu familiar) um Projeto Terapêutico Singular – PTS, no qual pode, dependendo da necessidade, estar incluso o acolhimento deste usuário na UA.

Ambos são serviços do SUS, mantidos pela secretaria da saúde, e, portanto, submetidos ao modelo das Políticas Públicas do Ministério da Saúde, que conforme já discutido é a RD.

Na prática, a RD é uma postura frente ao cuidado, um método de trabalho e uma abordagem científica. Entender o usuário de drogas a partir da perspectiva da RD é compreendê-lo na sua complexidade, que o mesmo não é só um “dependente químico”, possui vulnerabilidades e dificuldades, mas também potencialidades. É compreender que várias áreas e dimensões da sua vida afetam e são afetadas pelo uso problemático da droga, e que o cuidado em saúde deve ir muito além do que essa questão.

Tanto o trabalho no CAPS AD quanto na UA é norteado pelo cuidado em saúde e a Reabilitação Psicossocial, e não apenas para interrupção ou diminuição do uso. Entende-se como fundamental nesta abordagem, a inclusão do próprio sujeito nas decisões sobre o seu tratamento, ainda que este não demonstre desejo de parar de usar o álcool ou a droga. Busca-se, dessa maneira, o respeito ao desejo do próprio usuário.

Um equívoco muito grande que se tem, é achar que a RD “incentiva” o uso de substâncias nocivas à saúde, o que não é verdade! Há uma diferença muito grande entre incentivar o uso e respeitar a decisão do sujeito que naquele momento pode não estar preparado ou não consegue deixar de usar. Entretanto, o profissional que trabalha com RD tem como prática informar, orientar e ajudar a pessoa a compreender os malefícios que essa ou aquela substância pode (ou não) estar causando em sua vida e na sua saúde.

 

Referências:

 

BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria Executiva. Coordenação Nacional de DST/Aids. A Política do Ministério da Saúde para atenção integral a usuários de álcool e outras drogas. Brasília: Ministério da Saúde, 2003.

 

Para saber mais:

A POLÍTICA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE PARA A ATENÇÃO
INTEGRAL A USUÁRIOS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS

 

Colaboração de:

Diogo Fiorello Foppa

Psicólogo na Unidade de Acolhimento

Mestrando em Saúde Mental – UFSC

Membro do Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas - COMAD

 

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